Relato: minha visão da vida em Glasgow

Hoje o Vivendo em Edimburgo inaugura uma nova coluna. Um espaço para relatos de pessoas que moram fora do Brasil ou já moraram e resolveram voltar ou que saíram para um intercâmbio…

Desde que resolvi viajar o que eu mais ouço são pessoas me dizendo: “que sonho”, “que sortuda você” e outras expressões do tipo. Mas será que é um sonho mesmo? Será que morar em outro país é como ganhar na mega sena acumulada?

Nosso primeiro relato vem de Glasgow, a segunda maior cidade do Reino Unido, perdendo apenas para Londres. A Sandra Pereira mora na cidade há cinco anos e nos conta um pouco da sua visão e experiência. Obrigada, Sandra.

Glasgow-uni-995

“Para as pessoas que gostariam de vir morar na Escócia e que tenham o passaporte europeu, aqui vai a minha visão e experiência de morar em Glasgow por 5 anos.

O clima é muito frio e foi um choque, para mim, me acostumar com a chuva ou chuvisco diário. O sol é um artigo de luxo que, quando sai do céu cinzento e nublado, eu paro tudo o que estou fazendo e vou lá fora por 5 minutos, pois eu sei que mais de meia hora o sol não irá durar… As pessoas nas ruas e nos comércios são muito boas, hospitaleiras e gostam de conversar com os estrangeiros. E se falar que é brasileiro, daí então a conversa vai longe.

O custo de vida, para mim, eu acho caro… a conta de luz, do gás, e o IPTU (que todos tem que pagar, inquilinos e proprietários dos imóveis) é um assalto a mão armada (no bom sentido). Eu não consigo emprego na minha área em tempo parcial, pois sou mãe coruja em tempo integral. Eu tenho uma qualificação e um currículo muito bom e falo inglês fluentemente, mas na hora de contratar, as empresas preferem os homens que falam inglês fluentemente e que podem trabalhar em tempo integral. O meu filho tem escola pública de boa qualidade e de graça (material didático, tudo incluído).

O meu esposo tem um bom emprego aqui, porque ele fala o inglês fluentemente e ele trabalha 50 horas por semana, pois é professor universitário. A competição entre os escoceses para o trabalho é muito grande e os estrangeiros são escolhidos quando eles não têm escoceses para trabalhar; e eles dão para nós, estrangeiros, os empregos que sobram.O imposto de renda é um outro assalto a mão armada, pois começa na faixa de 30% e para na faixa de 47% do salário bruto.

O preço da gasolina fica na faixa de 1 libra a 1.05 libras por litro. O preço da passagem de trem para ir do meu bairro ao centro (25 min de trem) fica 3.20 libras (ida) e 3.50 libras (ida e volta). Nós moramos num bairro muito bom de Glasgow, graças ao emprego do meu esposo, pois caso contrário não teríamos condições de morar aqui. O aluguel de uma casa no meu bairro (Bearsden, G61) fica na faixa de 700 a 800 libras por mês (um apê, ou uma casa de 2 quartos). O IPTU fica na faixa de 2500 libras a 3000 libras por ano com prestações divididas variando de 200 a 300 libras por mês. No IPTU está incluso a água, o saneamento, a coleta de lixo e a taxa da prefeitura. A conta de luz, no inverno, fica por volta de 300 libras por mês e, no verão, por volta de 150 libras. A nossa casa é grande (4 quartos) e a conta do supermercado fica por volta de 200 libras por semana (para 3 pessoas, pois o meu esposo é exagerado e gosta de comprar o supermercado inteiro quando vai fazer compras). A conta do telefone e da internete fica na faixa de 35 a 40 libras por mês e a do celular, na faixa de 20 a 30 libras por mês. O IPVA do nosso carro fica na faixa de 200 libras por ano, o MOT (uma inspeção feita pelo mecânico para provar para o governo que o nosso carro está em boas condições para ser dirigido) fica na faixa de 80 a 90 libras por ano. O preço do seguro do carro (avaliado em 5000 libras) fica na faixa de 350 libras por ano (pois já temos a carteira de motorista do Reino Unido há 3 anos). No nosso primeiro ano sem a carteira de motorista, nós pagamos 1000 libras.

Os nossos vizinhos são pessoas boníssimas, eu quebrei o tornozelo esquerdo e fiquei de cama por 6 semanas, somente os meus vizinhos vieram quase todos os dias para cuidar de mim. Uma vizinha me trazia a sopa quentinha, a outra vizinha vinha conversar comigo, a outra colocava as roupas sujas na máquina para que, quando o meu esposo chegasse, ele pudesse guardar as roupas limpas para mim (pois a nossa máquina de lavar roupa, também é secadora). Uma outra vizinha me levava ao médico, a outra vizinha me levava para o hospital… Eu recebi 10 ramalhetes de flores no período de seis semanas, três caixas de bombons, duas velas perfumadas, etc. Nunca vi vizinhos tão bons assim na minha vida! Agora eu faço o possível para ser uma vizinha prestativa para elas também!

Eu vou dormir e não tenho medo de ladrão assaltando a minha casa, o meu carro, ou a mim quando eu saio na rua. É uma paz grande e um sentimento de cidadania muito grande para o povo escocês. Tem coisas difíceis, assim como em qualquer país do mundo… Um abraço carinhoso e muitas bênçãos!”

George Square, Glasgow at night

George Square, Glasgow at night looking towards the historical external facade of the Glasgow City Council building with pedestrians crossing the square

Mais uma vez, quero agradecer a Sandra por ter me permitido postar seu relato aqui no blog. Você também tem uma experiência que gostaria de compartilhar? Escreva para taty_perry@yahoo.com.br

Vai ser um prazer conhecer a sua história.

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Sobre tatySou alguém que ama. Alguém que não sabe viver sem esse sentimento e, talvez por isso, muitas vezes a vida se torne tão sofrida. Não falo de um amor apenas carnal, mas de amor pela vida, pelas coisas, pela natureza, pelo desconhecido. Em tudo o que faço tem um pouco de amor; se não fosse assim não conseguiria fazê-lo. Amo minha profissão e não me vejo em outra. Amo minha família, meus sobrinhos lindos. Amo meu avô que se foi há tanto tempo, mas que até hoje dói. Amo as muitas Tatianas que há em mim. Sou muitas, assim como Clarice e, talvez por isso, me identifico tanto com ela. Amo o Chico e seu jeito de cantar as dores e alegrias das mulheres. Amo U2 e toda beleza e dor que existem por trás das palavras cantadas por Bono. Amo a sensação de saber que sou capaz de amar e de me sentir amada. Amo andar de mãos dadas por aí, sem precisar dizer uma palavra, o jeito, o calor das palmas unidas, dos dedos entrelaçados já falam por si. Amo meus amigos. Minha vida não seria a mesma sem cada um deles, perto ou longe... nos momentos de alegria ou de tristeza. Amo escrever. Ver as palavras ganhando vida no papel, expressando, muitas vezes, aquilo que não consigo expressar em palavras. Amo o jeito como ele me olha. Amo olhá-lo. Amo ouvir música e me deixar invadir pela melodia. Simplesmente amo a vida. Amo o passado e as pessoas que fizeram parte dele. Amo o presente e o que faz parte dele e amo o futuro e todas as perspectivas que ele me traz. Amo... e sei que no dia que esse sentimento me deixar, a vida também não estará mais presente em mim! Quer saber mais, ou entrar em contato? Mande um e-mail para vivendoemedimburgo@gmail.com ou me procure no twitter @vivendoemedimburgo

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