Como quebrei o pé e fui parar no hospital em Edimburgo

Semana passada o Vida na Escócia publicou o relato da Silvia Garoffalo sobre a experiência dela com o sistema de saúde em Aberdeen. Resolvi então aproveitar o gancho para contar como foi a minha experiência com o NHS em Edimburgo.

No sábado 6 de maio eu estava fazendo minha última viagem do antigo para o novo apartamento quando, ao descer a calçada, cheia de bolsas, virei o pé. Vivo virando o pé, então aquilo não foi exatamente uma novidade, mas justamente por já ter experiência no assunto, logo percebi que daquela vez tinha sido diferente. Eu quase não conseguia colocar o pé no chão e, diferente das outras vezes, a dor não diminuiu à medida que fui andando.

No início da tarde, depois de resolver várias coisas relacionadas à mudança e já não aguentando mais de dor resolvi procurar um médico. Com muita dificuldade consegui chegar ao centro médico, distante uns 3 quarteirões da minha casa, apenas para descobrir que o centro não abre no sábado. Depois de consultar alguns conhecidos, descobri que ou eu ligava para o 111 (espécie de número de emergência para eventos médicos fora do horário) que se encarregaria de marcar algo para mim ou arriscaria ir à emergência de um hospital. Como a dor já estava me fazendo chorar no meio da rua resolvi entrar no primeiro táxi que vi e pedir para o motorista me levar ao Royal Infantary.

A primeira surpresa veio com o fato de que mesmo eu ainda não tendo me cadastrado no sistema médico pude ser atendida sem burocracia. O atendimento também não demorou tanto como me alertaram que poderia acontecer. Uns 15-20 minutos depois de ter feito a minha ficha, fui chamada por uma enfermeira que examinou meu pé e me encaminhou para o raio-x. Do raio-x voltei para a sala de espera e uns 10 minutos depois fui chamada por um médico geral que já havia visto o exame e confirmou a fratura.

Aí veio a parte estranha. Apesar de ter fraturado o 5º metatarso, o médico me disse que não precisava imobilizar e que era pra continuar caminhando normalmente. Saí de lá com um papel que me informava que a fratura se consolidaria em 6 semanas e seria normal sentir dor por até 3 meses e com a indicação de tomar paracetamol para a dor. Além disso, o papel informava que caso a dor persistisse por mais tempo, eu deveria procurar o meu médico, no centro médico, para uma nova avaliação.

Voltei ao Brasil por uma questão familiar duas semanas depois da fratura e como ainda sentia muita dor resolvi procurar um ortopedista. No Brasil o médico optou por colocar a bota (robofoot) para evitar forçar a fratura sem necessidade e me contou que o tratamento realizado na Escócia era uma espécie conservadora de tratamento para fratura no pé. Acredito que tenha a ver com o fato de que ali praticamente só se anda de bota e tênis, o que já deixa o pé um pouco mais firme.

Não acho que exista certo ou errado, mas depois de anos acostumada com a necessidade de imobilização da fratura confesso que só me senti realmente tranquila depois da visita ao médico no Brasil. Mas de qualquer forma a minha primeira experiência com o NHS me surpreendeu positivamente pela rapidez e falta de burocracia no serviço.

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