Como funciona o transporte em Edimburgo?

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Mais de uma pessoa já me perguntou como funciona o transporte aqui na Escócia. Vou me concentrar em Edimburgo, que é onde estou, mas dá para ir para diversos países da Europa, para Londres, para as Highlands, para Glasgow e outras cidades aqui perto de trem facilmente. Edimburgo tem duas estações de trem, umas delas bem central, em plena Princess Street e pegar o trem é bem simples.

Mas em Edimburgo especificamente dá para se fazer muita coisa a pé. Por exemplo, de Stockbridge, onde estou, com uns 20 minutos de caminhada chego ao centro. No meu caso, costumo pegar o ônibus para ir, já que o caminho de ida é subida e voltar andando.

Mas, para quem prefere o ônibus, vamos lá. A única empresa responsável pelo sistema de ônibus na cidade e seus arredores é a Lothian Buses. Atenção para o fato de que os motoristas não têm acesso a dinheiro, assim, se for pagar em dinheiro, é preciso ter o valor certinho para colocar dentro de uma caixinha vermelha localizada perto do motorista. O valor da passagem em abril de 2017 é 1,60 libras.

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Existe também uma linha especial chamada Airlink que liga o Aeroporto ao centro da cidade. Ao sair do Aeroporto, seguindo as placas em direção aos pontos de ônibus, você logo vai ver a placa indicando o Airlink e também uma espécie de bilheteria onde você pode comprar o ticket para ele. O valor dele é diferente.

Quanto aos ônibus normais, você pode comprar o ticket dentro do próprio ônibus, desde que tenha o dinheiro trocado. Você vai colocar o dinheiro dentro da caixinha vermelha e o motorista vai te entregar o ticket. Você pode comprar o ticket no próprio site, nesse caso, ao pegar o ônibus você mostra o ticket na tela do seu celular para o motorista.  Ou você pode fazer o ridacard, um cartão que pode ser carregado para uma semana, um mês ou um ano e deve ser feito nas lojas do Lothian Buses. Eu fiz o meu no centro, na 27, Hanover St, e não leva mais do que 15 minutos para ficar pronto. O cartão, para um adulto custa 18 libras para 1 semana, 54 libras para 1 mês e 630 libras para 1 ano.

Quanto aos tickets, existem diversos tipos, o single que custa 1,60 libras; o day ticket que permite viagens ilimitadas durante o dia e custa 4 libras; o night ticket que permite viagens ilimitadas entre 00h00 e 04h30 e custa 3 libras; o day e nigh ticket pode ser usado entre as 18:00 de um dia até as 04:30 do dia seguinte e custa 3,50 libras; e o family day ticket para 2 adultos e até 3 crianças  e custa 8,50 libras.

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Tanto o cartão quanto os tickets valem tanto para o ônibus quanto para o tram também.

Pegando o ônibus

Os pontos de ônibus são bem sinalizados pela cidade e sempre indicam To city (para o centro) ou From city (vindo do centro), para você saber se está na direção correta. A placa indica também quais linhas param naquele ponto. Na parada costuma ter um mapa indicando o percurso e os horários de cada linha. E os pontos mais movimentados costumam ter uma placa eletrônica mostrando quanto tempo falta para o ônibus chegar. Atenção para o fato de que as pessoas formam fila para esperar e entrar no ônibus. Não tente furar a fila. Quando o ônibus vem se aproximando as pessoas saem do ponto e se aproximam também para indicar ao motorista que estão esperando por aquele ônibus. É tudo bem organizado e simples.

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O horário de verão na Escócia

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Pois é, aqui na Europa também tem horário de verão. Eu que odeio não me vi livre desse maldito horário ao me mudar para cá. No último sábado, dia 26 de março, à uma da manhã adiantamos o relógio em uma hora e agora a diferença horária entre Brasil e Escócia (e todo Reino Unido) é de 4 horas.

O curioso é que aqui o relógio não é adiantado ou atrasado à meia-noite, mas à uma hora manhã. (Na Holanda é às duas da manhã. Curioso, não?)

Diferente do Brasil, o dia da mudança do horário aqui já está tão entranhado na população que não existe propagandas lembrando da mudança na TV, rádio ou jornal, como vemos no Brasil. As pessoas simplesmente sabem que no último domingo de março começa o horário de verão e no último domingo de outubro ele termina. Assim, esse ano de 2017, o horário de verão por aqui vai terminar em 29 de outubro.

Como no dia 15 de outubro de 2017 vai iniciar o horário de verão no Brasil, por poucos dias, a diferença de horário entre os dois países será de 3 horas. E, no dia 29 de outubro, quando a Escócia sair do horário de verão a diferença de horário ficará em 2 horas.

O dinheiro na Escócia

O dinheiro aqui na Escócia, como em todo o Reino Unido é a libra, e eles aceitam totalmente as notas que você trará do Brasil, compradas no banco ou em casas de câmbio. Mas logo de cara você, provavelmente, vai notar que as notas recebidas como troco aqui na Escócia não são exatamente aquelas com a foto da Rainha, como estamos acostumados a ver quando falamos em libra. É que na Escócia eles têm a libra escocesa com imagens próprias

Outra particularidade é que diferente da maioria dos lugares, as notas não são padronizadas. Aqui, cada banco imprime suas notas e coloca as imagens que bem entender nelas. Interessante, não?

Atenção, as libras trazidas do Brasil ou de Londres são amplamente aceitas por aqui, mas em Londres a maioria dos lugares não aceita a libra escocesa. Assim como no Brasil, caso sobre notas de libra escocesa, troque ainda aqui no país, pois será muito difícil conseguir vendê-las no Brasil.

 

Atenção com a franquia de bagagem

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É preciso ter muita atenção com a questão da franquia de bagagens. Por exemplo, no meu caso a KLM permite duas malas despachadas de até 32 Kg cada, mas a TAM, empresa pela qual farei o trecho BH – Rio, só permite que eu leve uma mala de 32 Kg. E agora?

Bem, o que a ANAC, agência nacional de aviação civil, diz é que quando as passagens aéreas, tanto para o voo nacional quanto para o voo internacional forem conjugadas, ou seja, quando houver apenas um contrato de transporte (mesmo se forem de empresas diferentes), o passageiro terá direito à franquia de bagagem do destino internacional; mas quando as passagens não forem conjugadas, ou seja, quando houver contratos de transporte distintos, o passageiro terá direito à franquia de bagagem nacional no trecho nacional e à franquia de bagagem internacional no trecho internacional.

Ou seja, como eu comi mosca e comprei primeiro a passagem Rio – Edimburgo pela KLM e só agora comprei BH – Rio pela TAM, mesmo a KLM permitindo duas malas de 32 Kg eu só vou poder levar uma, a menos que eu queira pagar excesso de bagagem.

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Essa é uma dúvida muito frequente que eu vejo por aí e é importante ter essa noção na hora de fazer a compra das passagens e arrumar a mala para evitar surpresas no balcão da companhia aérea na hora de embarcar.

Algumas companhias aéreas podem insistir que você não tem direito a levar duas malas de 32 Kg no voo doméstico, mas lembre-se, se você tiver comprado a passagem conjugada, no meu caso BH – Edimburgo, pode bater o pé porque isso é determinação da ANAC e elas são obrigadas a cumprir a regra. O folheto da ANAC sobre bagagens com essas informações pode ser encontrado aqui.

Onde estudar inglês em Edimburgo?

Talvez a primeira pergunta que você esteja se fazendo ao ler o título desse post seja: mas por que estudar inglês na Escócia? Bem, porque não? Os escoceses têm um dos sotaques mais bonitos da Grã-Bretanha, se não o mais bonito. Vai ser bem mais barato do que estudar em Londres e ainda vai ter bem menos brasileiros do que na capital da Inglaterra, o que para quem pretende mergulhar em uma outra língua e cultura é sempre muito bom.

Desde que decidi ir para a Escócia eu decidi que em algum momento, provavelmente, faria um curso, além do de Gaélico. Quero aprimorar meu inglês falado e escrito e além disso, levando em conta que meu trabalho é feito sozinha e em casa, um curso pode ser uma excelente oportunidade para interagir, falar e conhecer outras pessoas. Mas diferente da maioria das pessoas eu resolvi deixar para escolher o curso quando chegar lá. Prefiro chegar, ir às escolas e ver aquela com que me identifico melhor. Até porque, por já ir trabalhando, preciso ver como vão ficar meus horários, minha questão financeira, ou seja, o curso não é a prioridade número um.

Mas isso não me impediu de começar minhas pesquisas e encontrei algumas escolas e cursos bem interessantes, que resolvi listar abaixo.

  1. http://www.ecsscotland.co.uk/
  2. http://www.kaplaninternational.com/br/reino-unido/edimburgo/escola-ingles-edimburgo A Kaplan é uma das escolas mais tradicionais quando o assunto é intercâmbio. Conheço gente que estudou nela e gostou muito. Mas torno a dizer, onde estudar, qual a melhor escola é sempre uma questão muito pessoal.
  3. http://www.basilpaterson.co.uk/
  4. http://www.tlieurope.com/ – Entre as citadas nos itens 2 a 5 parece ser a única não credenciada pelo British Council. Por outro lado, parece ser a única que oferece cursos à noite.
  5. http://www.edinburghschoolofenglish.com/ É considerada uma das melhores escolas de Edimburgo.
  6. https://www.joininedinburgh.org/?q=&at=5&ns=on São cursos de inglês voltados para quem não tem inglês como língua nativa, oferecidos pelo Edinburgh Council. Tem gratuitos e outros pagos com preços baixos (tipo 1 libra por semana). Além da língua eles ensinam também sobre as leis e os costumes. No site do Edinburgh Council é possível encontrar outros cursos como artesanato, dança, escrita criativa, etc…

Além desses sites, existem alguns outros onde você pode encontrar informações sobre diversas escolas e universidades:

  1. http://www.languagecourse.net/pt/escolas-edimburgo – não é uma escola, mas sim um site de reservas com informações sobre várias escolas
  2. http://www.englishukscotland.com/ – idem
  3. http://www.mbastudies.com.br/universidades/Reino-Unido/Esc%C3%B3cia/ – site informativo de várias escolas e universidades

Ao chegar lá e ir às escolas e me decidir, venho contar mais sobre o assunto.

Como mudar para o Reino Unido?

Outro dia me mandaram uma pergunta no face, questionando como eu estava conseguindo mudar para a Escócia. Bem, no meu caso é mais simples, pois tenho cidadania europeia o que praticamente abre as portas da Europa para mim. Mas comecei a pensar sobre qual seria o caminho para as pessoas que desejam mudar para o Reino Unido e não contam com a facilidade que um passaporte europeu proporciona.

No site do governo do Reino Unido, existe um formulário que permite uma consulta fácil em relação ao tipo de visto necessário. Veja aqui. Grande parte dos imigrantes precisará de algum tipo de visto para morar e trabalhar no Reino Unido por certo período. Ao saber o tipo de visto que deve ser requisitado, entre nesta página para fazer a solicitação. O ideal é fazer isso vários meses antes da época em que planeja viajar.

Arrume um emprego no Reino Unido: será possível requisitar um visto caso uma empresa de lá queira contratá-lo. O período de permissão dependerá do emprego oferecido:

  • Vistos do Nível 2 (Tier 2) são emitidos para trabalhadores de áreas de grande demanda, veja aqui. Tais vistos permitem, na maioria dos casos, três anos de residência, que podem ser estendidos para seis.
  • Vistos do Nível 5 (Tier 5) são permissões para trabalhos temporários (de seis meses a dois anos). Quando a pessoa não atende aos requisitos do visto do Nível 2, ela deve procurar trabalho em uma organização de caridade, como atleta, trabalhador religioso ou artista (cantor, comediante, ator, etc.).
  • Vistos do Nível 1 (Tier 1) são emitidos apenas para indivíduos que desejam abrir negócios, fazer investimentos multimilionários ou para líderes reconhecidos em suas áreas de atuação. Valem geralmente cinco anos, podendo ser estendidos para dez.

Matricule-se como estudante em uma instituição do Reino Unido: neste caso, é obrigatório falar inglês e ter dinheiro suficiente para se sustentar. Você poderá ficar até alguns meses a mais após a conclusão do curso, com trabalho permitido apenas em empregos relacionados a ele. Mas uma vez lá nada impede que você procure emprego e, caso uma empresa queira contratá-lo, basta solicitar um dos vistos acima.

Candidate-se a outros tipos de vistos: existem algumas outras maneiras de entrar e permanecer no Reino Unido por um período maior do que o de visitação turística, que é bem curto. Certas circunstâncias especiais são exigidas, entre elas, as mais comuns são:

  • Família: disponível para quem vai morar junto a um cônjuge, noivo, parceiro de dois ou mais anos, ou filho. O visto também é expedido para indivíduos que precisam ser cuidados por um familiar residente no Reino Unido.
  • Visto de descendente no Reino Unido (cinco anos, trabalho permitido): é obrigatório ser um cidadão da comunidade com avô ou avó nascido no Reino Unido.
  • Visto Nível 5 (Tier 5 – Youth Mobility Scheme) (dois anos, trabalho permitido): para cidadãos de certos países, entre 18 e 30 anos. O “Youth Mobility Scheme” consiste em uma série de exigências que comprovam que o estrangeiro possui condições de morar no país (dinheiro para se sustentar, ser cidadão de um dos países listados, etc.).
  • Visto de turista (geralmente permite a permanência por seis meses, sem permissão de trabalho): deve ser o último recurso; caso tenha dinheiro para sustentar-se durante a espera, é permitido chegar utilizando um visto de turista e tentar ser contratado para um trabalho, para então poder se candidatar a uma permissão de trabalho.

Você tem alguma dúvida, alguma coisa que gostaria de saber? Manda pra mim através dos comentários ou pelas redes sociais. Dentro do possível tentarei responder.

Levar ou não levar o computador?

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Como tradutora, meu computador é o meu principal instrumento de trabalho e desde que resolvi mudar para Edinburgh surgiu a dúvida sobre levar ou não o desktop. De cara achei que seria inviável ($$$) e resolvi investir em um bom laptop que me permitiria não passar aperto com os trabalhos, embora eu renda bem menos neste tipo de computador.

Acontece que descobri que não é tão caro assim enviar o computador pelo Fedex. Na verdade sai muito mais barato do que tentar comprar um novo lá. Ainda mais levando em conta que o meu já tem todos os meus documentos, todos os meus programas instalados, etc, etc… Mas, ao entrar em contato com o Fedex para mais informações, a pessoa com que falei pelo telefone me disse que eu teria que ver toda a questão de entrada do computador na Escócia e todo o desembaraço aduaneiro. Já me imaginei recebendo uma taxa absurda, em libra, de imposto de importação.

E lá fui eu entrar em contato com o HMRC (espécie de Receita Federal do Reino Unido) para buscar informações sobre o assunto. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que se o computador for de uso pessoal meu eu não pago nada? Pois é… Simples assim. Se ele entrar comigo como bagagem eu apenas preciso declará-lo para o pessoal da aduana no aeroporto. Se ele for depois eu tenho que preencher um formulário que baixo no site e avisar ao pessoal do Fedex de que vou pedir isenção da taxa. E preciso comprovar para o HMRC que possuo o computador há mais de seis meses, que moro fora da UE há pelo menos 1 ano e apresentar a nota fiscal. Ah, também preciso me comprometer a não vendê-lo lá em menos de um ano, pois nesse caso eles me cobrarão um valor. Mas fora isso, o computador é meu e, por isso, eles não veem motivo para cobrar qualquer imposto. É ou não é para amar esse lugar?