Primeira viagem: bate e volta para as Highlands

Se tinha uma coisa que eu sabia desde antes de minha ida para a Escócia é que assim que possível eu visitaria as Highlands. Acho que qualquer pessoa apaixonada pelo país e, ainda por cima, fã de Outlander sonha com isso.

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Como viajante de primeira viagem pelo país, recém-chegada, ainda não me sentia apta a me arriscar em uma viagem sozinha pelas Terras Altas e, além disso, tive que encaixar a viagem entre visitas a apartamentos e outras obrigações burocráticas, por isso optei por uma excursão de um dia. Não era o que eu queria, pois eu desejava ir a Inverness, mas todas as agências que visitei me olharam como se eu fosse maluca por querer uma viagem de um dia parando em Inverness (depois descobri que realmente seria um pouco inviável pela distância).

timberbushFui na sorte mesmo, percorri as várias agências que existem na Royal Mile, peguei os prospectos em todas, analisei, vi as que se encaixavam melhor no que eu queria e nos dias em que eu podia sair de Edimburgo e acabei optando pelo bate e volta chamado Loch Ness, Glencoe and The Highlands, da Timberbush Tours.

 

No dia marcado, às 8h da manhã saímos de Edimburgo em direção ao Noroeste, passando por Stirling, Kilmahog e chegando ao Glencoe, cenário do famoso massacre do Clan MacDonald em 1692, onde paramos para fotos. Tudo isso, por uma estrada de beleza sem igual. A parada do almoço aconteceu em Fort William. Seguindo viagem, temos uma bela vista do Ben Nevis antes de entrarmos na região do Great Glen onde admiramos o Caledonian Canal e a cidade de Fort Augustus com a vista do Loch Ness. É aí que ocorre a parada mais longa do passeio (2 horas) onde quem quiser pode fazer o passeio de barco pelo Lago e visitar as ruínas do Urquhart Castle (pago a parte). Ao fim do passeio, hora de voltar para casa, não sem antes uma última parada em Perthshire, no caminho para Edimburgo, com chegada prevista para as 20h na Royal Mile.

Confesso que apesar de 12 horas de passeio, o dia pareceu passar em um piscar de olhos. Apesar de estar bem cheio, o micro-ônibus era confortável e o guia foi contando histórias sobre a Escócia e as regiões por onde passamos o tempo todo, principalmente na ida. Na volta, por já estar à noite e todos estarem cansados, pudemos aproveitar a viagem para descansar um pouco. Para uma primeira experiência nas Highlands ou para quem não tem muito tempo no país, mas não quer deixar de ver as Terras Altas, eu recomendo. E deixa aquele gostinho de quero mais, para uma próxima visita.

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Como quebrei o pé e fui parar no hospital em Edimburgo

Semana passada o Vida na Escócia publicou o relato da Silvia Garoffalo sobre a experiência dela com o sistema de saúde em Aberdeen. Resolvi então aproveitar o gancho para contar como foi a minha experiência com o NHS em Edimburgo.

No sábado 6 de maio eu estava fazendo minha última viagem do antigo para o novo apartamento quando, ao descer a calçada, cheia de bolsas, virei o pé. Vivo virando o pé, então aquilo não foi exatamente uma novidade, mas justamente por já ter experiência no assunto, logo percebi que daquela vez tinha sido diferente. Eu quase não conseguia colocar o pé no chão e, diferente das outras vezes, a dor não diminuiu à medida que fui andando.

No início da tarde, depois de resolver várias coisas relacionadas à mudança e já não aguentando mais de dor resolvi procurar um médico. Com muita dificuldade consegui chegar ao centro médico, distante uns 3 quarteirões da minha casa, apenas para descobrir que o centro não abre no sábado. Depois de consultar alguns conhecidos, descobri que ou eu ligava para o 111 (espécie de número de emergência para eventos médicos fora do horário) que se encarregaria de marcar algo para mim ou arriscaria ir à emergência de um hospital. Como a dor já estava me fazendo chorar no meio da rua resolvi entrar no primeiro táxi que vi e pedir para o motorista me levar ao Royal Infantary.

A primeira surpresa veio com o fato de que mesmo eu ainda não tendo me cadastrado no sistema médico pude ser atendida sem burocracia. O atendimento também não demorou tanto como me alertaram que poderia acontecer. Uns 15-20 minutos depois de ter feito a minha ficha, fui chamada por uma enfermeira que examinou meu pé e me encaminhou para o raio-x. Do raio-x voltei para a sala de espera e uns 10 minutos depois fui chamada por um médico geral que já havia visto o exame e confirmou a fratura.

Aí veio a parte estranha. Apesar de ter fraturado o 5º metatarso, o médico me disse que não precisava imobilizar e que era pra continuar caminhando normalmente. Saí de lá com um papel que me informava que a fratura se consolidaria em 6 semanas e seria normal sentir dor por até 3 meses e com a indicação de tomar paracetamol para a dor. Além disso, o papel informava que caso a dor persistisse por mais tempo, eu deveria procurar o meu médico, no centro médico, para uma nova avaliação.

Voltei ao Brasil por uma questão familiar duas semanas depois da fratura e como ainda sentia muita dor resolvi procurar um ortopedista. No Brasil o médico optou por colocar a bota (robofoot) para evitar forçar a fratura sem necessidade e me contou que o tratamento realizado na Escócia era uma espécie conservadora de tratamento para fratura no pé. Acredito que tenha a ver com o fato de que ali praticamente só se anda de bota e tênis, o que já deixa o pé um pouco mais firme.

Não acho que exista certo ou errado, mas depois de anos acostumada com a necessidade de imobilização da fratura confesso que só me senti realmente tranquila depois da visita ao médico no Brasil. Mas de qualquer forma a minha primeira experiência com o NHS me surpreendeu positivamente pela rapidez e falta de burocracia no serviço.

Edimburgo: aqui estou eu

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Dizem que a primeira impressão é a que fica. Mas será? Sábado passado cheguei em Edimburgo (ou Edimbráaa, como dizem os locais) e a cidade me recebeu cinza, com muita neblina e uma chuvinha fina nada convidativa. Confesso que a vontade foi pegar o mesmo voo de volta para Amsterdã (não que o clima em terras holandesas parecesse muito melhor, mas…).

Como até chegar ao apartamento, conhecer o funcionamento da casa, desfazer mala… e tudo isso, já tinha escurecido, nessa primeira noite achei melhor dar uma andada rápida pelo bairro e jantar no próprio apartamento (a proprietária havia deixado pão, leite, chá e um bolinho típico da cidade).

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No dia seguinte, que surpresa, céu azul e uma cidade maravilhosa para ser explorada. É fácil se deixar levar e andar horas e horas admirando a bela arquitetura, as ruelas, o castelo no horizonte, os parques… Acho que o melhor conselho que posso dar até o momento é: se perca pelas ruas da cidade. Você com certeza vai encontrar tesouros escondidos por todos os lados.

Indicação: vida na Escócia com Monique Silva Scott

O tempo tá passando, daqui uma semana faltarão seis meses para a minha partida e ainda tem tanta coisa para fazer. E parece que a cada dia, descubro um pouquinho mais sobre Edimburgo e a Escócia como um todo.

Hoje vim indicar para vocês o canal da Monique no Youtube, o Vida na Escócia. A Monique é do Rio e já mora na Escócia há um tempinho e grava vídeos contando sobre o dia a dia dela, os hábitos e costumes dos escoceses, mostra os passeios que ela e o marido fazem. Vale muito a pena se inscrever no canal dela.

Descobri o canal na semana passada e passei horas assistindo um vídeo atrás do outro e posso dizer que aprendi muita coisa. Para quem está indo para lá, como eu, sugiro, principalmente, os três que vou listar abaixo:

1)Falando escocês… Speaking scottish

Aqui ela fala de algumas palavras próprias dos escoceses. Por exemplo, “cheers” no lugar de “thank you”, “wee” no lugar de “small”, “hoose” no lugar de”house”. Mas o melhor é que, como o marido dela é escocês, ela pede para ele pronunciar essas palavras, para que quem vê o vídeo, possa ver como é a pronúncia. Foi um dos meus vídeos preferidos e as palavras já foram para o meu glossário.

Aqui você pode ver a parte 2 desse vídeo

2)12 hábitos da Escócia

Nesse vídeo a Monique lista alguns hábitos da vida no dia a dia na Escócia. Eu, pelo menos, sempre gosto de saber dessas coisas quando estou indo viajar para um outro país.

3)8 coisas que você não faz na Escócia

Esse vídeo segue um pouco a linha de hábitos e costumes do país, mas a Monique fala um pouco sobre o sistema de saúde, costumes de escrita e outros assuntos. Vale a pena ver. Pensa em adotar um bichinho? Então não deixe de apertar o play.

No canal ela tem vários outros vídeos, onde ela fala sobre custo de vida, processo de imigração, o que ela sentiria falta e o que não sentiria se se mudasse hoje. Então, como eu disse lá em cima, vale a pena tirar um tempinho para dar um conferida no canal.

 

Relato: minha visão da vida em Glasgow

Hoje o Vivendo em Edimburgo inaugura uma nova coluna. Um espaço para relatos de pessoas que moram fora do Brasil ou já moraram e resolveram voltar ou que saíram para um intercâmbio…

Desde que resolvi viajar o que eu mais ouço são pessoas me dizendo: “que sonho”, “que sortuda você” e outras expressões do tipo. Mas será que é um sonho mesmo? Será que morar em outro país é como ganhar na mega sena acumulada?

Nosso primeiro relato vem de Glasgow, a segunda maior cidade do Reino Unido, perdendo apenas para Londres. A Sandra Pereira mora na cidade há cinco anos e nos conta um pouco da sua visão e experiência. Obrigada, Sandra.

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“Para as pessoas que gostariam de vir morar na Escócia e que tenham o passaporte europeu, aqui vai a minha visão e experiência de morar em Glasgow por 5 anos.

O clima é muito frio e foi um choque, para mim, me acostumar com a chuva ou chuvisco diário. O sol é um artigo de luxo que, quando sai do céu cinzento e nublado, eu paro tudo o que estou fazendo e vou lá fora por 5 minutos, pois eu sei que mais de meia hora o sol não irá durar… As pessoas nas ruas e nos comércios são muito boas, hospitaleiras e gostam de conversar com os estrangeiros. E se falar que é brasileiro, daí então a conversa vai longe.

O custo de vida, para mim, eu acho caro… a conta de luz, do gás, e o IPTU (que todos tem que pagar, inquilinos e proprietários dos imóveis) é um assalto a mão armada (no bom sentido). Eu não consigo emprego na minha área em tempo parcial, pois sou mãe coruja em tempo integral. Eu tenho uma qualificação e um currículo muito bom e falo inglês fluentemente, mas na hora de contratar, as empresas preferem os homens que falam inglês fluentemente e que podem trabalhar em tempo integral. O meu filho tem escola pública de boa qualidade e de graça (material didático, tudo incluído).

O meu esposo tem um bom emprego aqui, porque ele fala o inglês fluentemente e ele trabalha 50 horas por semana, pois é professor universitário. A competição entre os escoceses para o trabalho é muito grande e os estrangeiros são escolhidos quando eles não têm escoceses para trabalhar; e eles dão para nós, estrangeiros, os empregos que sobram.O imposto de renda é um outro assalto a mão armada, pois começa na faixa de 30% e para na faixa de 47% do salário bruto.

O preço da gasolina fica na faixa de 1 libra a 1.05 libras por litro. O preço da passagem de trem para ir do meu bairro ao centro (25 min de trem) fica 3.20 libras (ida) e 3.50 libras (ida e volta). Nós moramos num bairro muito bom de Glasgow, graças ao emprego do meu esposo, pois caso contrário não teríamos condições de morar aqui. O aluguel de uma casa no meu bairro (Bearsden, G61) fica na faixa de 700 a 800 libras por mês (um apê, ou uma casa de 2 quartos). O IPTU fica na faixa de 2500 libras a 3000 libras por ano com prestações divididas variando de 200 a 300 libras por mês. No IPTU está incluso a água, o saneamento, a coleta de lixo e a taxa da prefeitura. A conta de luz, no inverno, fica por volta de 300 libras por mês e, no verão, por volta de 150 libras. A nossa casa é grande (4 quartos) e a conta do supermercado fica por volta de 200 libras por semana (para 3 pessoas, pois o meu esposo é exagerado e gosta de comprar o supermercado inteiro quando vai fazer compras). A conta do telefone e da internete fica na faixa de 35 a 40 libras por mês e a do celular, na faixa de 20 a 30 libras por mês. O IPVA do nosso carro fica na faixa de 200 libras por ano, o MOT (uma inspeção feita pelo mecânico para provar para o governo que o nosso carro está em boas condições para ser dirigido) fica na faixa de 80 a 90 libras por ano. O preço do seguro do carro (avaliado em 5000 libras) fica na faixa de 350 libras por ano (pois já temos a carteira de motorista do Reino Unido há 3 anos). No nosso primeiro ano sem a carteira de motorista, nós pagamos 1000 libras.

Os nossos vizinhos são pessoas boníssimas, eu quebrei o tornozelo esquerdo e fiquei de cama por 6 semanas, somente os meus vizinhos vieram quase todos os dias para cuidar de mim. Uma vizinha me trazia a sopa quentinha, a outra vizinha vinha conversar comigo, a outra colocava as roupas sujas na máquina para que, quando o meu esposo chegasse, ele pudesse guardar as roupas limpas para mim (pois a nossa máquina de lavar roupa, também é secadora). Uma outra vizinha me levava ao médico, a outra vizinha me levava para o hospital… Eu recebi 10 ramalhetes de flores no período de seis semanas, três caixas de bombons, duas velas perfumadas, etc. Nunca vi vizinhos tão bons assim na minha vida! Agora eu faço o possível para ser uma vizinha prestativa para elas também!

Eu vou dormir e não tenho medo de ladrão assaltando a minha casa, o meu carro, ou a mim quando eu saio na rua. É uma paz grande e um sentimento de cidadania muito grande para o povo escocês. Tem coisas difíceis, assim como em qualquer país do mundo… Um abraço carinhoso e muitas bênçãos!”

George Square, Glasgow at night

George Square, Glasgow at night looking towards the historical external facade of the Glasgow City Council building with pedestrians crossing the square

Mais uma vez, quero agradecer a Sandra por ter me permitido postar seu relato aqui no blog. Você também tem uma experiência que gostaria de compartilhar? Escreva para taty_perry@yahoo.com.br

Vai ser um prazer conhecer a sua história.