Alugando um apartamento em Edimburgo

Uma das primeiras coisas que estranhei logo após a minha mudança foi a forma de trabalhar das imobiliárias escocesas, ou pelo menos as de Edimburgo. Já tinha tido experiência de querer alugar um imóvel no Brasil e quando você vai à imobiliária com uma ideia geral do que quer, os corretores saem te mostrando um zilhão de imóveis, te levam para ver outro zilhão e assim vai até o fechamento ou não do negócio.

Bem, não é bem assim que as coisas funcionam por terras escocesas. Ao chegar na imobiliária os corretores esperam que você já tenha visto os apartamentos no site deles e já chegue lá ou telefone informando que quer visitar o imóvel X. É marcado então um dia e horário para visitar o imóvel. Às vezes pode até acontecer de ver dois imóveis na mesma imobiliária no mesmo dia, mas não espere muito mais do que isso. E não espere também que o corretor te leve para cima e para baixo de um imóvel para o outro. No horário marcado vocês se encontram na porta do imóvel ou às vezes já no apartamento e pronto.

Gostou do que viu? Você vai então fazer um depósito para segurar o apartamento para você e ele parar de ser mostrado enquanto a papelada anda. A imobiliária vai te pedir referências e mais algumas coisas para enviar para o proprietário (aqui chamado landlord) para ele ver se aceita você como inquilino. No meu caso, como não conhecia ninguém para servir de referência/fiador e sou autônoma, a exigência foi de que eu pagasse os primeiros seis meses de aluguel antecipado, no dia da entrega das chaves. Essa é uma prática bem comum. O bom é que durante seis meses você não paga o aluguel. O ruim é que tem que ir preparado para desembolsar essa quantia de uma vez.

Além do aluguel, há também o pagamento do seguro. No meu caso foi um aluguel e meio. Esse valor fica depositado em uma espécie de título de capitalização e, no final do contrato, se estiver tudo certo com o apartamento, o valor é devolvido para você.

O landlord aceitando você é só mudar. No dia da mudança o pessoal da imobiliária vai apresentar para você o inventário de tudo o que há no apartamento e de todos os “defeitos” encontrados, tipo problema na pintura, mancha no armário, etc, etc. Você tem sete dias (no meu caso o prazo foi esse) para conferir tudo e caso encontre outras coisas anotar, assinar e enviar de volta para a imobiliária. Faça isso! Uma verificação igual vai ser feita ao sair.

Você vai receber também um manual com os direitos e deveres de inquilino e proprietário. É muito útil ler. Diferente do Brasil, pelo menos na imobiliária onde aluguei meu apartamento, qualquer conserto no apartamento era por conta da imobiliária. Deu defeito na descarga? Era meu dever entrar em contato com a imobiliária e eles mandariam alguém para consertar. E assim por diante. Outra coisa importante é discutir e colocar tudo no contrato. Veja antes se seu landlord aceita pets no apartamento. Alguns não falam nada, mas o certo é antes de arrumar um avisar à imobiliária e ver com o landlord. Lembre-se sempre que o apartamento não é seu, para evitar dores de cabeça.

Ah, a duração normal dos contratos é de seis meses e depois se for de interesse dos dois ele vai ser renovado automaticamente. Caso queira sair ou o landlord queira o apartamento, o aviso precisa ser dado, por escrito, com pelo menos dois meses de antecedência.

Para a procura de apartamentos eu indico dois sites: o rightmove e o gumtree

No mais, boa sorte na procura!

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Cuidando da parte burocrática

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Hoje estava dando uma olhada aqui no blog, pensando sobre o que escreveria e me dei conta que deixei de contar sobre tanta coisa… Bem, tentarei recolocar as coisas em ordem a partir de hoje.

Como cheguei em Edimburgo num sábado fim de tarde, pouca coisa pude fazer no final de semana além de andar pela cidade. Mas na segunda-feira bem cedo já comecei a agilizar a parte burocrática da mudança. A primeira coisa que fiz foi ligar para o Job Center (0345 600 0643) para agendar minha entrevista para o NINO (National Insurance Number; já falei sobre ele aqui); você vai precisar deste número para trabalhar no UK. Agendar pelo telefone foi fácil e rápido e alguns dias depois recebi uma carta confirmando a entrevista e informando os documentos que eu deveria levar para a entrevista, que também é muito rápida e tranquila. Depois da entrevista, em alguns dias você recebe seu NINO, pelo correio. Guarde-o bem pois você vai precisar dele sempre.

Em seguida, fui até o Barclays para tentar agendar para abrir minha conta bancária. Mas atenção, atualmente os bancos estão exigindo comprovante de residência (contas ou carta do HMRC) mesmo dos cidadãos europeus para abertura de contas, então não consegui fazê-lo logo de cara. Essa parte acabou sendo um pouco mais burocrática do que eu estava esperando. Mas fui muito bem atendida e orientada no Barclays da Princes Street.

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Aproveitei que estava na Princes e entrei na O2 para comprar um chip para o celular (Eu escolhi a O2, mas o que não falta na Princes Street é loja de operadora de celular e aqui no UK não tem muita diferença entre elas. Vale a pena ver qual está fazendo alguma promoção na época). Inicialmente, enquanto não tiver conta em banco o jeito é comprar o chip Pay as to go, – o equivalente ao pré-pago deles – depois que já estiver com tudo acertado, aí caso seja do seu interesse é só ir na operadora e trocar para um dos planos deles.

Como eu iria me locomover muito de ônibus, aproveitei para passar na 27 Hanover Street e fazer meu Ridacar, o cartão do ônibus. Já falei sobre ele no post sobre o transporte em Edimburgo.

A partir daí, hora de começar a percorrer as imobiliárias. Eu já estava monitorando apartamentos a partir de sites como Rigthmove, Zoopla, Gumtree e já tinha uma ideia de valores e de que bairros eu não queria de jeito nenhum (hoje eu recomendo que não vá com uma ideia tão fechada assim, percorra os bairros, se permita andar pela cidade e conhecer os lugares). Mas sobre o processo de encontrar um apartamento e como alugá-lo eu conto em outro post.

Guia dos festivais de verão 2017 em Edimburgo

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Chegou o verão pelo hemisfério Norte. Logo Edimburgo estará repleta de Thistles e de ainda mais turistas eufóricos pelos vários festivais que tomam conta da cidade durante esta estação do ano.

Por isso o Sassenach resolveu fazer um post com os principais festivais que já estão agitando a cidade e os próximos, para que você possa se programar.

Começou ontem (21 de junho) e vai até o dia 2 de julho o Festival Internacional de Cinema de Edimburgo. Esta celebração da sétima arte começou em 1947 e durante o festival, em diversos pontos da cidade, projetam-se filmes, documentários e curtas. Além de pré-estreias com diretores e atores e debates sobre filmes e o cinema em geral.

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De 14 a 23 de julho é a vez do Festival de Jazz e Blues de Edimburgo,  com inúmeros shows em diferentes endereços na cidade. Muitos dos shows são pagos, mas é também durante este festival que acontece o desfile de Carnaval, na Princes Street (marcado para o domingo, 16 de julho), e também o Mardi Gras (acontecerá no sábado 15 de julho), que durante um dia transforma a região do Grassmarket em Nova Orleans, com barracas de comida e ritmos contagiantes.

De 27 de julho a 27 de agosto acontece o Festival de Arte de Edimburgo, com exposições nas principais galerias e museus da cidade, tanto de artistas já consagrados, quanto de novos nomes da arte. As exposições são quase sempre gratuitas e esculturas também podem ser vistas em espaços públicos da cidade.

Agosto é, sem dúvidas, o mês com mais eventos e neste ano a cidade comemora o 70º aniversário de seu Festival Internacional.

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Começando no dia 4 de agosto e indo até o dia 28 do mesmo mês acontece o Festival Fringe, maior festival de artes cênicas do mundo, com teatro, comédia, dança e música para adultos e crianças. Muitas das apresentações acontecem na rua, por toda a Royal Mile e também no The Mound. Fique atento, pois para as atrações pagas é possível conseguir ingressos com desconto. No The Mound, junto às Galerias de arte, fica o Virgin Money Half Price Hut, um posto de vendas pela metade do preço para espetáculos que acontecem no mesmo dia. O Fringe surgiu com iniciativas como o Free Fringe e o Laughing Horse, que promovem espetáculos gratuitos em bares e restaurantes, com o pedido de um donativo voluntário ao final. Esta é uma excelente forma de ser surpreendido por espetáculos sem ter que comprar entradas antecipadamente.

No mesmo período acontece o Festival Internacional de Edimburgo, que este ano comemora 70 anos e é a origem dos festivais de verão da cidade, reunindo música clássica, teatro, dança e ópera. Os ingressos são geralmente caros e esgotam em poucos dias. No dia 28 de agosto acontece o Show dos Fogos, onde um espetáculo de fogos de artifício encerra o festival. Os fogos estouram no Castelo de Edimburgo, acompanhados por um show da Orquestra de Câmara Escocesa. O ingresso para o espetáculo, no Princes Street Gardens é pago, mas é possível fazer como a maioria dos escoceses e assistir ao show de fogos de pontos altos da cidade, como o Calton Hill e o Inverleith Park.

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De 4 a 26 de agosto acontece, na esplanada do Castelo, o Royal Edinburgh Military Tattoo, que reúne música, dança, tocadores de gaita de fole, tambores e bandas militares.  Assim como o Festival Internacional, os ingressos esgotam rápido.

De 12 a 28 de agosto é a vez da literatura, com o Festival Internacional do Livro de Edimburgo, que acontece na Charlotte Square, oferecendo mais de 750 eventos com alguns dos mais famosos autores do mundo. É possível participar de saraus de prosa e poesia, workshops de escrita, conversas com autores… além de passear pelas tendas de livrarias espalhadas pela praça.

No final de semana de 26 e 27 de agosto acontece o Edinburgh Mela, um festival organizado pelas minorias étnicas de Edimburgo. Com música, filmes, apresentações teatrais, workshops e barracas de comida e artesanato, o Mela enche o parque Leith Link de cor.

 

*Este post será constantemente atualizado com novas informações sobre os festivais.

Festival do Beltane em Edimburgo

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Todo dia 30 de maio, quando anoitece, acontece no alto do Calton Hill, aqui em Edimburgo, o festival do Beltane.

O Beltane é um festival celta que, embora ocorra na primavera, marca o início do verão no hemisfério Norte. É reconhecido como festival da fertilidade, simbolizando a união entre as energias feminina e masculina. Na época dos celtas, durante o festival, eram acesas fogueiras nos topos dos montes e lugares considerados sagrados. E, como tradição, as pessoas queimavam oferendas para que o poder do fogo fosse passado ao rebanho e pulavam as fogueiras para que se enchessem das mesmas energias poderosas.

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Mantendo a tradição, assim que o sol se pôs em Edimburgo, no último domingo, tochas e fogueiras começaram a ser acesas no alto do Calton Hill, ao mesmo tempo em que batidas de tambor marcavam o compasso. Apesar do vento frio, as pessoas vestiam cores, riam e falavam alto. Lá pelas tantas começou uma espécie de procissão, seguindo as figuras do feminino e do masculino que paravam em cada um dos pontos de fogo para apresentações (as oferendas de hoje) marcadas por dança e as mais variadas performances.

Este foi simplesmente um dos festivais mais estranhos que já presenciei. Confuso ao início, um pouco assustador com todo aquele fogo em volta, as pessoas vestidas com seus trajes coloridos. Provavelmente não animaria a ir de novo, mas acho que vale a pena ir pelo menos uma vez e passar algumas horas. Afinal, há uma certa beleza em se continuar celebrando hoje algo tão antigo e ainda tão marcante culturalmente.

 

Brian Cox em Edimburgo

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Gosta de física? Vive olhando para o céu e viajando nas estrelas, buracos negros e afins? Então esse post pode interessar você. Bem, isso se você estiver na Escócia ou planejando estar lá em maio do ano que vem.

É que Brian Cox, físico renomado, professor da Universidade de Manchester e apresentador de várias séries na BBC, vai dar uma palestra na Edinburgh Playhouse no domingo 7 de maio e os ingressos já estão a venda por £34.15. ele é famoso pelo seu esforço na divulgação da ciência e por tentar transformar a ciência em algo divertido para o grande público.

Interessou? Boa parte dos ingressos já estão esgotados, mas ainda têm alguns assentos no balcão e eles podem ser adquiridos neste site aqui. Não vai dar tempo dos ingressos serem enviados para o Brasil, mas eles podem ser retirados na bilheteria do teatro, bastando, para isso, apresentar o cartão de crédito utilizado na compra.

Então, nos vemos lá?

Stockbridge

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Logo que comecei a pesquisar sobre Edimburgo a sensação que tinha era que a cidade se dividia apenas em Old Town e New Town, sendo a primeira um encanto em todas as fotos. Mas bastou uma olhada básica em preços de imóveis para ver que bem, linda, mas não daria para morar ali. Comecei então a procurar outros bairros, a ler tudo o que encontrava sobre a cidade e foi assim que descobri um bairro simplesmente apaixonante: Stockbridge!

Stockbride era um vilarejo independente, que passou a pertencer a Edimburgo apenas no século XIX. Tudo na região sempre girou em torno da Stock Bridge, uma ponte de pedra construída no final do século XVIII e que cruza o Water of Leith, principal rio da cidade. A 15 minutos a pé do centro da cidade, ainda hoje, o bairro mantém seu ar de “cidade do interior” dentro da “cidade grande” e, mais um detalhe, ainda não foi descoberto inteiramente pelos turistas, já que o bairro não tem nenhuma atração específica a ser vista. Ainda assim, em agosto, durante os festivais de verão, a St Stephen’s Church, também conhecida como igreja de Stockbridge recebe diversos eventos.

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Apesar de não muito badalado pelos turistas, o bairro conta com diversas lojas de artesanato, whisky, restaurantes e pubs, além de comércios típicos de bairros. E aos domingos ainda tem uma feira de produtores locais no Stockbrigde Market. Quem me conhece sabe que já estou contando as horas pela feira, né?

Para quem quiser saber mais sobre o bairro, existe um site oficial

Para quem sabe espanhol, recomendo também este post da Angie Castells falando sobre porque Stockbrigde merece ser visitado. Confesso que foi um dos posts que me fez apaixonar pela região e contar os minutos para chegar lá e ver tudo isso de perto.

Meu apartamento por um mês

O que acabou definindo a data da minha partida foi o aluguel do apartamento temporário. Inicialmente eu tinha decidido ir no início de 2017, mas a data correta da viagem estaria condicionada à turnê do U2 no Brasil (me julguem)!

Só que assim, desde que a decisão de ir foi tomada, no final do ano passado, comecei a entrar quase diariamente no site do Airbnb para olhar apartamentos e alimentar a WishList com os meus favoritos. Até que no início de fevereiro deste ano minha mãe percebeu que vários dos apartamentos já estavam sem reserva para o início do ano que vem e aí bateu o desespero. E se os apartamentos que eu tinha gostado fossem reservados e eu ficasse sem? Resolvi então, com muita dor no coração, deixar meu lado fã de lado e resolver a questão do apartamento.

O apartamento da Elaine era um dos que estava na WhishList. Ele fica justamente em Stockbridge, bairro que eu já vinha namorando como possível local de moradia. Mas a definição veio mesmo quando, ao mandar uma mensagem perguntando sobre a máquina de lavar roupas, ela me fez uma contraproposta no aluguel me oferecendo um desconto de 1000 libras (1000 LIBRAS!!!!) e por mais que eu sonhasse em ouvir Bad no Brasil, não dava pra perder uma chance dessas e eu me vi, de um dia pro outro, com um apartamento alugado por um mês inteiro em Edimburgo e, consequentemente, com a data da viagem definida.

Muito lindinho né? E durante todas as mensagens trocadas até agora a Elaine se mostrou uma fofa.

Mas por que a Escócia?

Acho que essa tem sido a pergunta que mais tenho ouvido desde que decidi ir passar um tempo em Edimburgo. Tirando o fato de que vai que eu esbarro em uma pedra, volto no tempo e encontro um James Fraser pra mim (mentira, ou não, vai saber). Não, não houve uma razão daquelas, sempre sonhei morar em Edimburgo. Mas assim, queria um país de língua inglesa na Europa. Londres seria um sonho, mas caro demais e, como eu queria uma cidade grande e cosmopolita, Edimburgo virou a opção mais óbvia e mais barata. Claro que estar envolvida até a raiz do cabelo com o universo de Outlander também, não vou mentir.

Mas bastou uma pesquisa rápida no Google, algumas fotos e alguns relatos na internet para eu cair de amores pela cidade e a ansiedade me tomar por completo. E aqui estou eu, menos de um ano para embarcar, cheia de planilhas com metas para cumprir, mas amando cada etapa do processo.

A ideia da criação desse blog é ir contando um pouco desse processo e depois sobre o dia a dia da vida por lá. Espero que curtam e se quiserem saber alguma coisa é só deixar um comentário que, se eu souber, tentarei ajudar com prazer. Aprendi que as experiências dos outros ajudam demais nesses momentos de mudança.