Cuidando da parte burocrática

20170814_094812[1]

Hoje estava dando uma olhada aqui no blog, pensando sobre o que escreveria e me dei conta que deixei de contar sobre tanta coisa… Bem, tentarei recolocar as coisas em ordem a partir de hoje.

Como cheguei em Edimburgo num sábado fim de tarde, pouca coisa pude fazer no final de semana além de andar pela cidade. Mas na segunda-feira bem cedo já comecei a agilizar a parte burocrática da mudança. A primeira coisa que fiz foi ligar para o Job Center (0345 600 0643) para agendar minha entrevista para o NINO (National Insurance Number; já falei sobre ele aqui); você vai precisar deste número para trabalhar no UK. Agendar pelo telefone foi fácil e rápido e alguns dias depois recebi uma carta confirmando a entrevista e informando os documentos que eu deveria levar para a entrevista, que também é muito rápida e tranquila. Depois da entrevista, em alguns dias você recebe seu NINO, pelo correio. Guarde-o bem pois você vai precisar dele sempre.

Em seguida, fui até o Barclays para tentar agendar para abrir minha conta bancária. Mas atenção, atualmente os bancos estão exigindo comprovante de residência (contas ou carta do HMRC) mesmo dos cidadãos europeus para abertura de contas, então não consegui fazê-lo logo de cara. Essa parte acabou sendo um pouco mais burocrática do que eu estava esperando. Mas fui muito bem atendida e orientada no Barclays da Princes Street.

20170814_095059[1]

Aproveitei que estava na Princes e entrei na O2 para comprar um chip para o celular (Eu escolhi a O2, mas o que não falta na Princes Street é loja de operadora de celular e aqui no UK não tem muita diferença entre elas. Vale a pena ver qual está fazendo alguma promoção na época). Inicialmente, enquanto não tiver conta em banco o jeito é comprar o chip Pay as to go, – o equivalente ao pré-pago deles – depois que já estiver com tudo acertado, aí caso seja do seu interesse é só ir na operadora e trocar para um dos planos deles.

Como eu iria me locomover muito de ônibus, aproveitei para passar na 27 Hanover Street e fazer meu Ridacar, o cartão do ônibus. Já falei sobre ele no post sobre o transporte em Edimburgo.

A partir daí, hora de começar a percorrer as imobiliárias. Eu já estava monitorando apartamentos a partir de sites como Rigthmove, Zoopla, Gumtree e já tinha uma ideia de valores e de que bairros eu não queria de jeito nenhum (hoje eu recomendo que não vá com uma ideia tão fechada assim, percorra os bairros, se permita andar pela cidade e conhecer os lugares). Mas sobre o processo de encontrar um apartamento e como alugá-lo eu conto em outro post.

Anúncios

Insurance Number, Security Number… e agora?

Engana-se quem acha que mudar para outro país é fácil. De repente, quando menos se espera faltam seis meses e a lista de coisas para fazer não para de aumentar. É, nada é moleza nessa vida.

Logo que tomei a decisão de ir para a Escócia conversei com uma conhecida que mora na Inglaterra e ela me deu a seguinte informação:

“OI Tatiana, na Escócia deve ser como aqui, lá chegando, vc deve obter seu national security number e depois se registrar como autônoma na HMRC. Tem tudim explicadinho no site da HMRC, nem posso te dizer como é porque desde que fiz em 2000 mudou tudo. Não se esqueça de se registrar no home office antes de tudo, sem esse registro vc não consegue o national number.”

200_interrogacao13

Como é? HMRC? Home Office? National Number? Security Number? Socorro!

Bem, vamos lá. HMRC é como a Receita Federal deles. Tudo relacionado a imposto no Reino Unido é com eles. É com eles que obtém-se o Insurance Number que é o número de Previdência Social deles. Se você arrumar um emprego ou já for com um emprego o seu empregador vai cuidar disso para você. Mas se for autônomo como eu, tem que ligar para o Jobcentre Plus e marcar uma entrevista para se registrar para o número. Nessa entrevista eles vão querer confirmar que você é você e saber porque você está mudando para lá. É preciso levar seu passaporte, certidão de nascimento e comprovante de endereço.

Bem, o registro no Home Office não é obrigatório para cidadãos com passaporte da países da União Europeia (pelo menos por enquanto, maldito Brexit), mas o que a página do Home Office na internet diz é que entrar com o pedido de Certificado de Cidadão com Direito a Residir no UK pode facilitar a solicitação de benefícios e serviços. Para isso, basta preencher um formulário existente no site e enviar com a taxa de 65 libras para o endereço indicado, junto com os comprovantes solicitados e esperar a resposta. Mas, se você é cidadão europeu pode viver lá sem esse registro sem problemas (pelo menos por enquanto).

Outra coisa que é importante, me disseram, é se registrar no seu consulado o mais rápido possível. Não é obrigatório, mas é aconselhável e, segundo o site da “prefeitura” de Edimburgo, ajuda a acelerar o processo burocrático.

imagescaz3se22

Por fim, vamos falar sobre médico. O Serviço médico da Escócia difere um pouco do restante do Reino Unido. Eles têm um sistema médico deles e eles tem um CHI number. Ao se estabelecer na Escócia, você deve procurar o médico mais próximo da sua residência e então ligar ou comparecer pessoalmente para saber se ele pode te aceitar como paciente. Se sim, a recepcionista vai te dar um formulário para preencher para o NHS medical card. Este cartão contém seu nome, endereço e o CHI number, número que identifica cada pessoa registrada no serviço médico. Ele é usado pelos médicos para acessar seu histórico. Para isso, na primeira consulta é preciso levar o passaporte ou a carteira de identidade e comprovante de endereço, pois o seu médico está diretamente ligado à região em que você mora.

Resolvi fazer esse post porque estas foram informações que custei a encontrar e espero que possam ajudar outras pessoas. Os links indicados explicam ainda melhor, com mais detalhes. Quando eu chegar lá vou contando sobre cada uma dessas etapas passo a passo, à medida que for fazendo cada uma delas.

Levar ou não levar o computador?

índice

Como tradutora, meu computador é o meu principal instrumento de trabalho e desde que resolvi mudar para Edinburgh surgiu a dúvida sobre levar ou não o desktop. De cara achei que seria inviável ($$$) e resolvi investir em um bom laptop que me permitiria não passar aperto com os trabalhos, embora eu renda bem menos neste tipo de computador.

Acontece que descobri que não é tão caro assim enviar o computador pelo Fedex. Na verdade sai muito mais barato do que tentar comprar um novo lá. Ainda mais levando em conta que o meu já tem todos os meus documentos, todos os meus programas instalados, etc, etc… Mas, ao entrar em contato com o Fedex para mais informações, a pessoa com que falei pelo telefone me disse que eu teria que ver toda a questão de entrada do computador na Escócia e todo o desembaraço aduaneiro. Já me imaginei recebendo uma taxa absurda, em libra, de imposto de importação.

E lá fui eu entrar em contato com o HMRC (espécie de Receita Federal do Reino Unido) para buscar informações sobre o assunto. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que se o computador for de uso pessoal meu eu não pago nada? Pois é… Simples assim. Se ele entrar comigo como bagagem eu apenas preciso declará-lo para o pessoal da aduana no aeroporto. Se ele for depois eu tenho que preencher um formulário que baixo no site e avisar ao pessoal do Fedex de que vou pedir isenção da taxa. E preciso comprovar para o HMRC que possuo o computador há mais de seis meses, que moro fora da UE há pelo menos 1 ano e apresentar a nota fiscal. Ah, também preciso me comprometer a não vendê-lo lá em menos de um ano, pois nesse caso eles me cobrarão um valor. Mas fora isso, o computador é meu e, por isso, eles não veem motivo para cobrar qualquer imposto. É ou não é para amar esse lugar?